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THE LAST OF US PART II

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Em 2013 o mundo dos vídeos games estava em constante ascensão, franquias já estabelecidas tinham sequência planejadas para aquele ano, BioShock Infinite, Tomb Raider, Crysis 3, Tom Clancy's Splinter Cell: Blacklist, Gears of War: Judgment, Beyond Two Souls e até mesmo o game do ano Grand Theft Auto V, entre tantos outros. Mas quem roubou a cena foi o novo gigante da indústria The Last of Us, sendo um sucesso de crítica e público fazendo com que a Naughty Dog, faturasse vários prêmios por muito tempo.

O jogo que mesclava elementos de ação/aventura e survival horror aliados à uma trama para lá de emocionante e dramática, estabeleceu-se não só como um dos exclusivos de maior peso da marca Playstation, mas sim como um dos maiores jogos da história. Pois bem, todo esse sucesso resultou não só em uma versão remasterizada no início da atual geração, como 7 anos depois rendeu uma continuação no fim da vida do Playstation 4.

Meu nome é Murilo Nascimento, e entre adiamentos e vazamentos, The Last of Us Part 2 finalmente chegou, e esta e minha análise sobre o tão esperado game.

Existem muitas formas de se analisar um game, e eu poderia iniciar essa análise falando o que todos já devem saber a essa altura, porem eu gostaria de ir um pouco mais afundo em tudo que fez de The Last of Us Part 2, ser esse barulho estrondoso que todos nós ouvimos.

Alguns jogos vão além das mecânicas, dos gráficos e tudo mais que contempla um game, digo isso porque este tipo de mídia e tão diferente das outras por conseguir te envolver de tal maneira, a ponto de despertar todos os tipos de emoções, e vou além, também ensinam da melhor forma possível a lidar com nossos sentimentos, como a raiva e o ódio por exemplo, esses que por muitas vezes não conseguimos diferencia-las em várias circunstanciais.

Os games nos forçam ou nos deixam tomar decisões, que em muitas vezes nos questionam o certo e o errado, e a Naughty Dog brinca com nossa sanidade com maestria, quem nunca questionou a decisão que Joel tomou no final do primeiro game?

Até onde podemos ir por amor?

Outros estúdios conseguem reproduzir esse feito como a Naughty Dog, nesta geração mesmo temos a Rockstar Games e seu sucesso mais recente com Red Dead Redemption 2 destacando a redenção de Arthur Morgan, ou a The Coalition em Gears 5 com Kait Diaz em sua busca por respostas sobre seu passado, todos esses games cumprem esse papel com louvor, cada um de sua maneira.

Todas essas questões nos fazem perceber o quão frágeis podemos ficar diante de situações que só os jogos podem nos promover, as outras mídias conseguem sim despertar esses sentimentos! Mas em nenhuma outra você está no controle.

HISTÓRIA

Mais de 25 anos se passou desde o surto que devastou nosso planeta, agora Ellie e Joel vivem pacificamente em Jackson, uma pequena cidade liderada por Tommy e Maria, bom não tão pequena como vista no game anterior.

Com seus 19 anos, Ellie deixa de lado a menina falastrona e cheio de vida que vimos antes, se tornando uma pessoa mais durona, quieta e reservada, deixando apenas vestígios de sua infância, soltando de vez em quando uma piada ou outra, acabando moldada por esse mundo de sobreviventes, algo bem previsível se considerarmos seu trauma com David no último game.

Joel, 5 anos depois de ter se deixado levar pelo descontrole paterno para evitar a morte de Ellie, e agora por volta de seus cinquenta anos, ainda é o mesmo, continua com seus ideais, seu jeito durão e intimidador, mas sempre tentando se aproximar de Ellie, que mesmo não precisando mais de sua proteção, não consegue deixar de lado este papel.

Em Jackson as pessoas mais habilidosas trabalham em postos de observação para manter os infectados afastados, e Ellie já cumpre este papel junto a Dina, seu par romântico.
Porem algo impactante e repentino acontece em uma dessas patrulhas, e Ellie é tomada por um sentimento de ódio e fúria, e a garota brincalhona que conhecíamos antes, desaparece por completo, saindo em uma busca incessante por vingança em direção a Seattle.

GAMEPLAY

Posso afirmar que as mecânicas do primeiro jogo envelheceram muito bem, já que em sua sequência tivemos leves mudanças em sua gameplay, mudanças que em muitos outros jogos podem até sofrerem críticas por serem tão sutis, e pouco significativas, mas em The Last of Us não e o caso.

A mecânica de combate e movimentação do seu antecessor continua a mesma, com algumas exceções, agora conseguimos “esquivar” de ataques em lutas corpo a corpo, passar por lugares extremamente estreitos, pular e se arrastar pelo chão. Essas funções não só deixam a dinâmica do game mais interessante e fluida, mas como aumenta o realismo e imersão nos combates e exploração.

A exploração aqui é bem mais ampla do que o primeiro game, todas as áreas sem exceção, dando mais liberdade de se posicionar em lugares estratégicos para iniciar o confronto.
A necessidade de buscar peças para forjar um equipamento médico, silenciador, bombas ou melhorar as armas brancas, também continua, porém não temos mais a preocupação de ficar forjando facas para matar inimigos em stealth.

Desde o início do game você irá escolher o que melhorar em sua árvore de habilidades ou armamento, pois dificilmente você conseguira evoluir todos os itens durante apenas uma jornada, então escolha bem!

Em The Las of Us Part 2, é bem evidente a melhora na IA do game, tanto para os inimigos quanto para os aliados. Agora ao sermos atingidos por um inimigo, sofremos uma baita queda, onde conseguimos utilizar rapidamente nossas armas, conseguindo abatê-los com mais precisão! Falando nos inimigos, após o suposto fim dos Vagalumes, surgiram diversos grupos com ideais diferentes, e para ser bem sincero a palavra inimigo, é um pouco contraditória pra quem jogou o game, mas bem, não quero entrar em mais detalhes sobre isso.

Claro que também temos todo o elenco de infectados, que além de mais assustadores e imprevisíveis, ganham duas novas adições ao elenco, porem vou citar apenas uma delas aqui para não estragar a jogatina e surpresa de ninguém.

Os Trôpegos! São bem semelhantes aos vermes do primeiro game ou Baicus como são chamados nesta Part 2, essas criaturas podem expelir um ácido gasoso e quando derrotados explodem deixando essa mesma substância no ar.

Mais uma curiosidade rápida sobre os Trôpegos: Os Trôpegos têm esse nome por se movimentarem de uma maneira bem estranha e capenga, parecendo que estão sempre prestes a cair, acho que é devido ao seu peso e a mutação enorme que têm na parte de cima do corpo.

VISUAL

Maior e mais ambicioso que o primeiro game, The Last of Us Part 2 surpreende em todos os aspectos, o game ainda segue a receita de dividir a história por capítulos, e assim como o primeiro em cada um deles podemos esperar uma diversidade tanto na ambientação quanto no clima tempo, então não espere apenas uma Seattle predominantemente chuvosa!

Posso estar enganado, mas acredito que um mundo pôs apocalíptico nunca foi tão bem representado em um game, ver todos os edifícios abandonados na cidade sendo dominadas pela natureza, ver Ellie reclamando do mau cheiro dentro dos edifícios com infectados e o fungos se alastrando por todos lados, animais pequenos em seu habitat natural, entre outras coisas definitivamente enriquecem o game.

Tudo isso faz com que a exploração necessitasse até mesmo do auxílio de cavalo e um mapa para se localizar em um determinado momento no game!

Essa exploração beneficia o jogador com recursos para aprimorar as habilidades que vimos antes, e colecionáveis que variam entre as anotações já conhecidas no game anterior e os novos cards de super-heróis que além enriquecer a história e quebrar o clima pesado que em muitas vezes o jogo apresenta, também serve para homenagear grande parte da equipe da Naughty Dog, como próprio Neil Druckmann diretor do game!

Falando nele, Neil teve um papel fundamental para o sucesso da Naughty Dog nos últimos anos, a sua participação nos projetos do estúdio sempre são diferencias pelo seu talento e escolhas, seja como Diretor de criação ou roteirista, além de ser um talentoso animador.

E é ai que entramos no que acredito ser o ponto mais alto do game, os personagens. Todos sabemos o quanto os personagens de The Last of Us são tão bem desenvolvidos durante a campanha, mas nessa Part 2 meu amigo, eles vão além!

AUDIO

Ashley Jhonson volta a dar vida a Ellie, assim como Troy Baker a Joel, e todos do elenco original, claro com algumas adições, já que neste game temos vários outros personagens tão importantes quantos eles!

Assim como a grande maioria dos jogos, muitas vezes o ator que faz a captura de movimento, não tem seu rosto utilizado como modelo para o game, isso acontece com quase todos personagens aqui, mas para mim a que mais se destaca e a própria Dina, onde temos a atriz Shannon Woodward atuando e a também atriz e YouTuber Cascina Caradonna como a modelo da personagem.

A localização para o nosso idioma do primeiro game também já foi considerada um marco, e a dublagem da Part 2 não está diferente, todos os dubladores voltam para seus papeis.

E claro, a atriz, cantora, compositora e dubladora Luiza Caspary novamente retorna como Ellie, e nossa equipe teve a oportunidade de ter um breve patê papo sobre este incrível trabalho, na localização do game. (Entrevista no vídeo).

Nas trilhas sonoras do game temos novamente o argentino Gustavo Santaolalla, mostrando novamente que para criar uma trilha marcante não precisamos necessariamente de uma orquestra completa, praticamente todo o game tem como base apenas um violão, que além de envolver o jogador do início ao fim, também é um grande símbolo dentro do game.

Nos combates e partes mais tensas possuem apenas os sons do ambiente, se tornando algo conveniente, pelo fato de precisar ouvir bem para descobrir o posicionamento do inimigo, principalmente se tratando de infectados, causando um silêncio ensurdecedor que deixa o jogador ainda mais tenso.

É preciso ressaltar aqui que sim! O game tem seus bugs, principalmente em sua física, muitos dessas problemas já circulam a internet com erros bem bizarros, mas o que eu posso falar é da minha experiencia, e nessas quase 30 horas de gameplay, tive apenas este bug, ao tentar pegar um item simples, o braço da Ellie buga totalmente, restando apenas a opção de restaurar o ultimo save, mas como foi apenas este erro não estragou minha jogatina, pois o ultimo save estava bem perto, oque seria muito frustrante se estivesse jogando no ultimo nível.

Falando nisso, não é preciso que você finalize o game no sobrevivente para conseguir a sonhada platina, o que na minha opinião e um ponto muito negativo, não somente ao The Last of Us Part 2 mas para todos os últimos exclusivos do Playstation, pra mim não faz sentido nenhum se aventurar nos níveis mais difíceis e sem poder desfrutar de um troféu para o feito.

VEREDITO

Quando a Naughty Dog disse que este seria o maior projeto já feito pelo estúdio, eu não estava esperando este game, visto que o desenvolvimentos de seus games passados, nunca geraram um sentimento de amor entre seus profissionais, polemicas que ganharam os holofotes da internet de forma muito negativa, devido ao histórico de crunch abusivo do estúdio.
Mas assim como o game de 2013, The Last of Us Part 2 consegue abordar perspectivas de uma história incrível, fazendo com que o jogador reflita sobre seus valores humanos, abordando temas como a representatividade, fanatismo religioso, e dilemas sobre justiça.

10. The Last of Us Part 2 nos deixa pensativo não somente após os créditos subirem, mas até na hora de dar o veredito, e até me faz repensar em notas que dei em outros jogos, porem cada game sempre deve ser analisado de forma única, o que me faz ter a certeza que independente do motivo, The Last of Us Part 2 é sim um marco não só na indústria dos games, mas também na vida de cada um que tiver o privilégio de desfrutar dessa majestosa obra prima, eu sei que não existe um game que seja obrigatório para quem curte vídeo games, mas se existir essa classe, não tenha dúvidas que The Last of Us Part 2 deve estar sublinhado em negrito no top da lista

Olha tudo que foi dito aqui, pode não significar nada se realmente você não tiver jogado ou for jogar o game, então joguem, aproveitem um dos últimos títulos desta geração, e após os créditos rolarem! Me falem quais foram seus sentimentos durante toda a jogatina, deixe nos comentários a sua versão, um grande abraço e tchau tchau!