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PACER

7.0

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Pacer é um jogo de corrida e combate frenético desenvolvido pela R8 Game Ltd. Mas isso seria simplificar de mais.

Hoje em dia é cada vez mais comum a busca por simuladores como, Gran Turismo e Forza ou até mesmo jogos mais arcades já consagrados como Grid e a coletânea sem fim de Need For Speed! Porém Pacer vem na contramão dessa proposta.

Meu nome é Murilo Nascimento e esta é a análise sobre como Pacer me fez reviver a nostalgia durante sua gameplay.

O jogo de corrida da R8 Games é um arcade clássico, frenético, com ambientação futurista e elementos de combate. Se você já viu esses elementos antes na franquia Wipeout, saiba que não é por acaso, uma vez que os desenvolvedores de Pacer fizeram parte do time daquele jogo.

O game estava em desenvolvimento pela R8 Games desde 2015, nesta época ainda se chamava Formula Fusion e teve uma campanha de crowdfunding bem sucedida. Desde então, foi tratado como um “sucessor espiritual” de Wipeout.

Já renomeado como PACER, o game ganhou uma versão em early access para o Steam ainda em 2015 e só viu sua versão final em 29 de outubro de 2020. Mas porque só jogamos agora? Bom estávamos esperando para desfrutar o game no Xbox One que demorou um pouco a receber o título, o atraso ocorreu porque Microsoft decidiu apoiar o lançamento com seus recursos de marketing e a desenvolvedora preferiu adiar para conseguir chegar a um público maior com a ajuda da MS, então o game chegou as lojas somente no dia 09 de março deste ano.

Apesar da demora para conclusão e dos vários adiamentos, o tempo fez bem ao game, que entregou uma experiência vasta e personalizável.

GAMEPLAY

Assim que encostei em PACER pela primeira vez, optei por ir direto para uma corrida rápida, sem ver tutorial, controles, nada, e logo percebi que foi um grande erro. As naves desafiam a gravidade e correm a quase 500 km/h (na categoria básica), parecendo ser quase impossível mantê-las na pista. E é o treinamento coloca as coisas no lugar, fazendo com que a gente possa entender como funciona o gameplay.

Um detalhe interessante, que é provavelmente uma das maiores características do jogo, é o tipo de frenagem. Como as naves são anti-gravitacionais e não tocam o solo, para frear utilizam-se de flaps, abas que se abrem e aumentam a resistência com o ar, tal como fazem os aviões. A grande sacada é que podemos controlar cada um dos flaps, do lado esquerdo ou lado direito, de forma independente, o que acaba arrastando o bico da nave pro lado correspondente. Esse recurso é essencial na hora atacar curvas fechadas sem perder segundos preciosos seguindo o traçado mais longo da pista.

Só sabia que PACER era um jogo inspirado nos clássicos jogos de corrida de naves, como Wipeout e F-Zero, mas agora com uma pitada a mais chegando a me lembrar uns poucos jogos como Vigilante 8 e Twisted Metal. A primeira sensação foi exatamente jogar uma versão da nova geração desses clássicos. Só que PACER é muito mais que só uma inspiração.

A gameplay de Pacer é o ponto alto do jogo, pois consegue passar de forma competente a sensação de estar controlando uma nave em ultra-velocidade. Além da corrida em si, o jogo ainda acrescenta o sistema de combate como aquele dos clássicos Rock N’ Roll RacingCrash Team Racing e claro, Mario Kart.

Todas as naves possuem uma barra de energia e outra de escudo. Ou seja, além de se preocupar em chegar na frente, também será necessário ficar de olho nelas. Caso elas esvaziem, a explosão é certa. Embora o tempo de respawn seja razoavelmente curto. Então, cuide de sua nave e ataque os adversários. Para isso, conte com uma boa variedade de armas como canhões de longa distância, minas de proximidade, bombas que cegam etc.

Cada nave disponível possui diferenças de aceleração, velocidade final, agilidade, escudo, tipos de armas e muito mais. O que permite que os jogadores criem as mais diferentes configurações de corrida. Além, é claro, de mudanças estéticas no visual. A quantidade de itens, que são liberados conforme o jogador avança no game, é bem interessante.

Além disso, as naves ainda possuem um sistema KERS de recarga de bateria, igual aos carros da Formula 1 atual, e implementado em jogos do gênero, como Sonic & All-Stars Racing . Conforme o piloto frear, uma bateria vai recarregando que pode ser usada para dar outro boost de velocidade. Usá-los com sabedoria, mesclando com os próprios boosts da pista, vão fazer totalmente a diferença.

A cada corrida, 10 naves se enfrentam, cada uma pertencente a uma equipe distinta, de países diferentes e que ostentam cores próprias. Em uma camada extremamente superficial, existe um fundo narrativo envolvendo cada uma das equipes, o que é apresentado no momento em que selecionamos o modo de jogo “Set One”. Nele uma das 10 equipes apresenta uma proposta de contrato e, se aceitarmos, devemos completar um conjunto de desafios com algumas corridas com regras diferentes.

Nesses modos de jogo, temos, além da corrida clássica, eliminação (em que o último colocado é destruído após o incio de uma contagem na tela), destruição (ganha quem eliminar mais adversários) e uma espécie de Battle Royale, chamado “Storm”, em que uma bolha de energia vai se fechando na pista e devemos permanecer dentro da área segura. Também existem modos de corrida livre e ataque de tempo para aqueles que querem apenas dominar o trajeto de cada pista. Podemos modificar as naves utilizando até 05 modelos diferentes, todos com design muito arrojado. Além da escolha do tipo de nave e da cor, podemos alterar detalhes de cada nave, como motor, freios, aerofólios, suspensão e etc. Mas é nesse ponto que o ritmo frenético de Pacer começa a diminuir.

Se o gameplay de Pacer é muito preciso e divertido, não dá pra dizer o mesmo de outros aspectos do jogo, para os quais a mesma qualidade não se estende.
Um dos grandes problemas que encontrei no jogo foi a dificuldade de localizar e acessar as várias opções apresentadas. Por exemplo, Pacer não possui uma campanha narrativa propriamente dita, mas uma série de torneios curtos, em categorias de velocidade.

Ao receber um convite para ingressar em um dos 10 times existentes no jogo, somos levados a uma série de corridas em um evento próprio daquela equipe, sendo bastante simples de se entender: completar os desafios e desbloquear uma nova corrida, até terminar o evento todo. Funciona como deveria, mas ao término do evento, não existe uma opção clara para selecionar uma nova equipe dentre as existentes para tentar novos desafios. O que existe é um novo convite, de uma ou mais equipes, o que parece ser aleatório. Nem mesmo existe uma representação visual dessas equipes no momento da escolha, somente um texto descritivo, o que não ajuda na experiência.

MULTIPLAYER ONLINE

Também preciso dizer que Pacer conta com um modo multiplayer online, mas em todas as tentativas, não encontrei sessões abertas para ingressar e quando eu mesmo criei um lobby para que outros jogadores entrassem, não obtive sucesso. Uma pena.

VISUAL

Pelo menos a confusão visual de Pacer fica restrita à interface de usuário e menus antes das corridas. Durante as provas temos gráficos belíssimos e uma taxa de quadros apurada para passar a sensação de velocidade extrema, apesar de ser um jogo bem leve, é valido dizer que joguei no Xbox Series X.

Os cenários são muito bonitos, com elementos visuais que remetem aos países onde estão localizadas as pistas. Algumas são mais detalhadas que as outras, mas todas constroem de forma competente a atmosfera futurista necessária para entregar a proposta do jogo. Curiosamente, a direção artística passa uma sensação de “futurismo retrô”, aquele visual do fim dos anos 1990, em que o CD era o futuro. Talvez por buscar emular a atmosfera do Wipeout original, lançado para o primeiro PlayStaion, lá em 1995, todavia, sem as cores vibrantes da franquia falecida, Pacer traz elementos visuais, sobretudo nas naves, que dão um toque de desgaste e uma leve decadência.

Os efeitos visuais em tiros e explosões não são extraordinários, afinal estamos falando de um jogo indie, mas não prejudicam a experiência da gameplay na corrida, que volto a repetir, é muito boa.

AUDIO

Já os efeitos sonoros poderiam receber um pouco mais de carinho, bem como a mixagem de sons e efeitos. Para jogos deste gênero as músicas durantes as batalhas em alta velocidade, é quase que uma obrigação. Bem pode ser um exagero de minha parte exigir isso do studio, só queria mesmo algo marcante como vivenciei em Twisted Metal 4, ou Rock N’ Roll Racing. É só de lembrar, percebo que de fato estou pedindo muito!

VEREDITO

7.0. A proposta da R8 Game Ltd de entregar uma experiência de corridas com velocidades extremas em ambientação futurista, exatamente como nas franquias Wipeout e F-Zero, com modos de jogos atuais, foi realizada de forma louvável.

As corridas são rápidas e frenéticas por si só e o combate entre as naves é um ingrediente que coloca o jogo em um outro patamar, sendo divertido e desafiador na medida certa, tanto quanto Mario Kart 8, por exemplo.

As ressalvas em relação aos efeitos sonoros do jogo não estragam a experiência e me parecem ser intrínsecos à natureza indie do jogo, em que a maior parte dos recursos do desenvolvimento foi alocada na gameplay.

O ponto realmente negativo na minha experiencia jogo fica com por conta do multijogador online, nem tive a oportunidade de testar, mas continuarei tentando já que as o game lançou a pouco tempo, para a plataforma que possuo. Então se você gosta de corridas arcade, com combate ou é “orfão” dos jogos que citei aqui na análise, tenho certeza que Pacer irá te agradar, MUITO!