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OUTRIDERS

5.5

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No dia 26 de fevereiro, foi disponibilizado para todos os jogadores uma demo de Outriders, contendo todo seu prólogo na íntegra, e apresentando um pouco do que poderíamos esperar. Sendo uma experiência divertida e deveras muito interessante, surpreendendo boa parte dos jogadores, inclusive a mim, mesmo com sérios problemas em sua gameplay, que se apresentava um pouco travada, e que também se aproximava muito de jogos que já conhecemos. Mas reforço, eu gostei da demo ficando apenas o questionamento, será que a versão final de Outriders seguira esta mesma qualidade em toda sua campanha, mesmo com essa proposta de game serviço, já tão batida no mercado?

Meu nome e Murilo Nascimento, e esta é a análise de Outriders aqui na Endoxon, vem comigo!

Antes de ir a fundo no game, vale falar um pouco sobre o estúdio responsável. Desenvolvido pela People Can Fly conhecida por Painkiller de 2004, sucesso de crítica, mas que já se espelhava nos jogos clássicos de em primeira pessoa, como Doom e Quake, aliás esse game deu muito certo - saudades de sair matando incontáveis demônios em arenas, sem uma grande camada narrativa por trás, é fácil lembrar da essência de Painkiller, joguei muito no PC!

Bom, o trabalho do estúdio polonês não para pôr ai, em 2006 junto a grandiosa Epic Games, nasce uma das franquias mais solidas no mundo dos games, Gears of War, no comando de Cliff Bleszinski!

Solida e mais preparada para encarar a indústria dos games o estúdio emplaca outro grande sucesso em 2011, com o game multiplataforma Bulletstorm, ainda em parceria com Epic Games.
Em 2013 com mais propriedade o estúdio volta a trabalhar na franquia exclusiva da Microsoft em Gears of War: Judgment, game não tão bem recebido quanto seus anteriores, mas vale lembrar que foi o primeiro game da franquia a ser localizado aqui para o nosso idioma. Além de continuar trabalhando com a Epic Games em outros projetos, como em 2017 por exemplo na temporada Salve o Mundo, em Fortnite.

O estúdio das pessoas que voam tem muita história pra contar, mas acho que vale abordar tudo isso em outro vídeo, deixa nos comentários caso queria saber mais! Mesmo antes deste trabalho em Fortnite, a desenvolvedora já vinha trabalhando no seu próximo game deste de 2015, e após um acordo com a gigante Square Enix, viu sua equipe de 40 pessoas chegar a mais de 200 desenvolvedores, sendo quase que obrigada a ampliar a sua visão inicial do projeto e produzir um jogo massivo de ação com fortes elementos de RPG.

Enfim abril de 2021 chegou e junto a Square Enix, a qual somos muito gratos por nos conceder o game para Playstation 5, a People Can Fly é lança seu mais projeto, Outriders, prometendo uma aventura intensa de ficção científica em um universo sombrio.

Entretanto, por conter elementos de outros jogos famosos, Outriders começou a ser visto com um certo preconceito por alguns, na real até antes de seu lançamento, com muitas acusações de ser um jogo que copiava Destiny e The Division, ou games mais lineares como o próprio Gears of War, sem possuir personalidade própria, será mesmo?

HISTÓRIA

Durante a metade do século 21, a Terra encontra-se em estado terminal devido aos desastres climáticos e guerras, tornando o planeta inabitável. Para evitar o fim da raça humana, os governos se reúnem, não medindo esforços para formar uma equipe de colonização para uma expedição desesperada rumo ao planeta Enoch, conhecido por ter aspectos muito similares aos da Terra.

Então duas naves gigantes que levariam os colonizadores para Enoch, com capacidade para 500 pessoas cada uma, são construídas e batizadas de Caravela e Flores. Devido a um acidente, Caravela acaba explodindo e apenas Flores consegue chegar em Enoch, tudo isso após uma jornada de 83 anos no espaço. Encerrando o sono criogênico para permitir a sobrevivência da longa viagem, os humanos acordam, e os Outriders, são responsáveis por fazer o reconhecimento deste novo planeta.

Porém, uma estranha tempestade de energia conhecida como “A Anomalia” surge e começa a devastar tudo, inclusive a equipe de expedição. Após uma desesperada tentativa de salvar a operação, tudo dá errado e seu personagem acaba sendo congelado neste mesmo dia, despertando após 31 anos no futuro, encontrando Enoch em uma guerra civil, buscando respostas para entender o que aconteceu e o porquê de seus novos poderes, quem seria Steve Rogers perto deste personagem não é mesmo!

Tudo isso que citei aqui eu já tinha vivenciado na demo que disse a pouco, agora vocês devem entender o porquê de eu gostar tanto dela que me convenceu a jogar o game. Bom, não estava errado em nada e quando digo isso me refiro ao meu receio de como Outriders seguiria daqui para a frente.

A história de Outriders pode ser terminada em aproximadamente 30 horas, dependendo do seu estilo de jogo. Eu levei um pouco mais que isso porque decidi passar umas horas procurando equipamentos melhores e fazendo muitas das missões secundárias que encontrava no meu caminho, missões essas que por sua vez eram bem fraquinhas.

Uma vez que são bem parecidas, tento a possibilidade de repetir a mesma missão, quantas vezes o jogador quiser, e isso quebrou totalmente o ritmo da narrativa. Ritmo este que já não estava dos melhores após as primeiras 3 ou 4 horas de gameplay, pois é. A trama começa bem interessante, brincando com a curiosidade do jogador, mas logo depois disso, fica muito cansativa e bem previsível, me fazendo abandonar o games algumas vezes até seu desfecho. De fato, se focarmos apenas na história principal o game se torna pouco linear, sem a possibilidade de escolhas ou finais diferentes, eu gosto disso!

GAMEPLAY

Para essa aventura você deve criar um personagem, com um sistema de criação bem fraco, o mesmo apresentado na demo, sem muitas opções de aparência, com poucos modelos para montar e opções esquisitas e mal feitas, é bem decepcionante.

Mas as decepções não param por a e, o histórico da People Can Fly não mente que esse estúdio tem um grande potencial para criar suas obras originais, não temos dúvidas disso.

Porém em Outsiders me parece que a empresa quis seguir um caminho mais seguro, utilizando artifícios que já deram certo uma vez em seus trabalhos, agregando elementos e mecânicas saturadas no mercado de games comercializados em formato de serviço. Me admira ver a Square Enix apostar mais uma vez neste modelo, após o recém Marvel's Avengers, caso ainda não tenha visto a análise deste game, é só clicar no card acima, o vídeo conta com a participação do dublador Marco Ribeiro, a voz oficial do homem de ferro aqui no Brasil.

Outriders é um jogo de ação em terceira pessoa com fortes elementos de RPG e que convida os jogadores a optarem pela experiência cooperativa online, mas não obriga ninguém a isso, podendo ser desfrutado inteiramente sozinho. Mas caso deseje optar por jogar com outras pessoas, é permitido jogar em até 3 jogadores.

Uma das mecânicas que me chamou muito atenção no game, foi o fato de não possuir itens de vida espalhados pelo cenário ou fazer com que o jogador se ausente durante uma batalha atrás da cobertura, para recuperar a vida. Aqui o jogador deverá atacar os inimigos usando suas habilidades especiais, obrigando-o jogador a avançar pelo campo de batalha constantemente. Mas falando assim até parece que existe uma grande dificuldade aqui.

Apesar dos inimigos serem bem diversificados, a vantagem que nossos personagens têm sobre eles é gritante, mas todas elas bem legais! Para aqueles que estão acostumados com os comandos em Gears of War, vai se sentir em casa aqui, na real eu digo mais, em muitas vezes vai se sentir, jogando o próprio.

O jogador carrega três armas: primaria, secundaria e auxiliar, a princípio a variedade de armas é enorme, mas não se engane, em pouco tempo de jogo você vai perceber que a diferença entre elas é quase imperceptível, tanto no visual quanto na utilização. Claro, snipers, shotguns, metralhadoras automáticas e semiautomáticas, estão ali, nada que qualquer outro game, já não tivesse feito antes, e olha eu não estou falando isso da boca pra fora não, a diferença entre a enorme quantidade de armas é quase imperceptível, oque nos levar a crer que se tivessem se focado em apenas diminuir a quantidade de armas, aumentando a customização da mesma, valeria mais a pena, sem contar que todas elas carregam texturas baixíssimas até mesmo na visualização dentro do menu.

Falando em customização, não é somente na quantidade de armas que o game se perde, mas nos itens que seu personagem carrega, capacetes, luvas, calcas e botas, são muitos, e assim como as armas os itens se repetem constantemente, por exemplo a causa do soldado do deserto, e muito parecida com a do astronauta, enfim posso ser chato nisso, mas quem abriu esse leque de possibilidades foi o jogo, então eu esperava o mínimo.

Assim como quase todos os looter shooters, suas armas e itens são classificados por raridade, à medida que você subir de nível, começará a liberar itens mais fortes assim como habilidades.
Itens de maior raridade possuem modificadores que dão dinâmicas diferentes ao combate e que devem ser combinadas com as habilidades de classe, a chance de encontrar itens mais raros estão ligados diretamente com o grau de dificuldade escolhido.

Outriders conta com um recurso chamado grau de mundo, que seria equivalente aos níveis de dificuldade, no qual o grau de sua escolha reflete na dificuldade de sua jornada. Na teoria isso é bem legal, mas na prática não e bem assim, bom pelo menos em minha jornada, mesmo jogando o game sem pressa, sempre tive a percepção que a dificuldade do game nunca me afetava, porém vale dizer que mesmo após finalizar o game ainda não abri todas as dificuldades disponíveis, em todo caso passei por muitas, e digo isso jogando a maior parte do game sozinho, jogando com amigos então, sentia que era quase impossível nos derrotar. Porém, ao contrário de muitos jogos, você deverá liberar as dificuldades a medida que vai jogando e matando inimigos, como uma espécie de barra secundária a sua experiência. Caso morra, você perderá um pouco da barra de grau de mundo, impedindo que você avance para o próximo degrau, mas nunca retrocedendo. Por exemplo, caso você morra diversas vezes no grau de mundo 3, logo no início da barra, você nunca voltará para o grau de mundo 2.

O ponto alto de Outriders fica por conta de seu sistema de classes. Ao iniciar o jogo, você deverá escolher entre 4 classes, estas que não poderão ser modificadas futuramente, apenas se você começar um novo personagem.

Para os jogadores linha de frente, existe a classe Devastador, que faz bastante jus ao nome, utilizando poderes sísmicos para destruir tudo em seu caminho e criar uma armadura rochosa para absorver o máximo de dano possível, tornando-se invulnerável. O Tecnomate é a classe para os jogadores que gostam de manter a distância, causando enorme de dano e impedindo o avanço dos inimigos pelo meio do controle de tecnologia, como metralhadoras fixas.

Cada classe possui habilidades específicas e uma árvore de habilidades própria com subclasses que focam em determinados aspectos, permitindo uma maior personalização do estilo de jogo do seu personagem, fazendo com que dois piromantes, por exemplo, possam jogar de forma completamente diferente, mesmo possuindo a mesma classe. Piromante, é ideal para o combate a média distância e utiliza o poder do fogo para controlar o campo de batalha e dar dano consistente.

O Trapaceiro é a classe de maior dano e com a movimentação mais incrível do campo de batalha, podendo teletransportar-se e dar golpes certeiros, eliminando inimigos fortes rapidamente. Por mais forte que seja em seus ataques, ele não aguenta muito dano, obrigando o jogador a continuar em movimentação constante.

PERFORMANCE

Outriders roda 4K dinâmicos e 60 quadros por segundo no PlayStation 5, apresentando uma performance sólida, sem quedas de frames. Sem bugs perceptíveis!
Um ponto que me irritou foi o fato de mesmo quando quis jogar no modo solo, fui obrigado a estar constantemente conectado à internet, e como todo jogo online, os servidores não deram conta, chegando a ficarem dias fora do ar na semana de lançamento.

Talvez isso tenha sido resultado da possibilidade dos assinantes do Xbox Games Pass, terem acesso ao game desde o primeiro dia! Não demorou muito para retirarem a função cross-play com jogadores do PC para amenizar este impacto, nas primeiras semanas. Toda via, é que nessas oscilações, eu fui expulso do jogo e perdi todo o progresso da missão que eu estava fazendo no momento. O jogo está muito mais estável agora, mas ainda ocorrem desconexões aleatórias.

VISUAL

Graficamente, Outriders parece datado, principalmente comparado aos jogos da nova geração, mas não se engane: ele não chega a ser feio. Os gráficos podem ser simples, mas possuem boas animações e belas paisagens, com cenários variados e imersivos.

AUDIO

A dublagem brasileira merece destaque pelo excelente trabalho da direção assim como a equipe que fez a localização do jogo, com uma tradução muito competente e acertada. Duda Ribeiro e Priscila Amorim dão voz ao personagem principal, mas o elenco é grandioso, Mabel Cezar, Philippe Maia, Márcio Simões, Mauro Ramos entre outras vozes marcantes.

Ao terminar a história, o jogador poderá iniciar um novo modo chamado Expedições, missões únicas e mais difíceis que darão itens melhores, rendendo muito mais horas de diversão, aumentando a vida útil do jogo. Um recurso interessante do jogo é que ele permite que você rejogue qualquer missão, voltando a qualquer ponto da história, seja para reviver algum momento específico ou tentar obter itens melhores, sem a necessidade de começar tudo de novo.

VEREDITO

5.5. Olha pegar referências é algo bem comum nos dias de hoje, ainda mais se tratando de games que o próprio estúdio ajudou no desenvolvimento, Gears of War por exemplo não foi o primeiro game a trazer essa gameplay como a conhecemos, jogos como Rogue Trooper já apresentava estas mesmas mecânicas lá em 2006, para o Playstation 2 e Xbox Original, toda via Gears of War conseguiu melhorá-las. Outro grande exemplo disso seria Marvel's Spider-Man do Playstation 4, claramente uma inspiração na franquia Arkham dos jogos do Batman, inspirações que não devem em nada, e conseguem criar sua própria essência.

Outriders, se perde em meio a tanta inspiração, mas não consegue ser eficaz em nem uma delas, eu diria que até mesmo o game piora algumas dessas mecânicas que já existem no mercado.
O game é uma experiência muito divertida, mas poderia ser muito mais, as primeiras horas me prenderam, mas em seguida me empurraram um universo vazio e repetitivo, e mesmo após uma campanha com momentos bem legais me deixou o sentimento de que este game é apenas mais um looter shooter genérico, é uma pena.