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ORI AND THE WILL OF THE WISPS

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Ori And The Will Of The Wisps é um game para Xbox e PC, uma sequência direta dos eventos ocorridos no fantástico Ori And The Blind Forest de 2015, lançado neste ano, mais especificamente no mês de março, o jogo era aguardado por diversos fãs da mais bem sucedida nova IP (propriedade intelectual) da Microsoft e sua divisão de jogos nesta geração.

O primeiro jogo teve um orçamento reduzido, isso é um fato inegável, e isso não impediu cerca de 15 e corajosos desenvolvedores de criarem um dos melhores metroidvanias da história, não bastasse o número reduzido de pessoas trabalhando no game ainda é de se ressaltar que o jogo foi feito a distância.

O estúdio por trás do game é a Moon Studios, liderados por Thomas Mahler, que vinha de um longo período na Blizzard, se viu na missão de criar um jogo com base em inspirações como Rayman, Castlevania e Super Metroid, entretanto, seu enredo visava aventuras fantásticas tais quais as obras de Hayao Miyazaki, criador de animações que beiram a perfeição como “Meu Amigo Totoro” (1988) e “Princesa Mononoke” (1997).

Sendo assim, é importante ressaltar que o maior trunfo de ambos os jogos da franquia vão muito além de bons jogos, mas em conseguir ser muito mais que competentes metroidvanias, eles acabam se tornando ótimos jogos de plataforma também, ao mesmo passo que contam histórias fabulosas, envolventes e o mais importante, com animações e legendas tendo em vista que os personagens contam com um idioma próprio, ao melhor estilo “Shadow Of The Colossus” ou “The Last Guardian”.

Nesse contexto todo que em 11 de março de 2015 recebemos em nossas casas o memorável Ori And The Blind forest, contando a história de Ori, um espírito de luz o qual fazia parte de uma imensa árvore e ao se desprender dela, acaba encontrando Naru que o acolhe e sem querer, faz com que a árvore do espírito (responsável por narrar o game em um tom bem épico) gaste toda a sua energia para localizar Ori, que foi mantido sob sigilo no abrigo de Naru, afinal, ele já tinha se apego ao seu amigo e fiel companheiro, o que resultou na morte da foresta em que viviam os deixando sem frutos, e levando a consequente morte de Naru que daria o último fruto que encontrou para ori e consequentemente, acabou por vir a óbito, pela fome que o aterrorizava, iniciando a jornada do corajoso e destemido espírito para ressuscitar seu melhor amigo.

Além de ter vendido bem e entregue um retorno comercial grande, ainda significou um sucesso crítico e de público sustentando um orgulhoso e merecido 89 no Metacritic, algo que significou muito no investimento que seria dado para o próximo game.

Sucesso crítico a parte, no ano de 2017 o método de trabalho em casa do estúdio ainda era (e persiste) o mesmo, logo, não havia mudado e em uma das reuniões anuais da equipe marcadas como verdadeiros retiros para que todos os desenvolvedores se conheçam pessoalmente, surgiu Ori.

Olá meu nome é Thômas Henrique e está é a minha análise de Ori And The Will Of The Wisps, aqui na Endoxon.

Apresentado na E3 2017, o jogo agora contava com uma equipe maior e mais capacitada, um dos casos mais emblemáticos, é de Milton Guasti, este funcionário que aparenta ser apenas um level designer comum na verdade é autor do fan game “Another Metroid 2 Remake” e foi descoberto pelo estúdio dessa forma, impressionados com o talento do profissional, optaram por contratá-lo e assim exercer a mesma função o que parece ter dado ótimos frutos para ambos os lados.

Os desenvolvedores queriam que o novo jogo fosse maior, mais bonito e melhor que o antecessor, com mais opções de jogabilidade, skills e acima de tudo uma forte inspiração em The Legend Of Zelda, incluindo side missions e árvores de habilidades mais complexas do que as presentes no primeiro jogo, era um desafio imenso, visto que o primeiro jogo tinha sido unânime na parte gráfica e de animações.

Chegamos então em março de 2020, quando eu, humilde redator pude baixar e jogar o meu game mais esperado deste ano, qual não foi minha surpresa ao me deparar com a primazia da Moon Studios ao lidar com uma sequência?

HISTÓRIA

Logo, a história se inicia, e para que eu não lhe entregue spoilers do primeiro game, caso você não tenha jogado, eu direi que ela contém três remanescentes do primeiro jogo sendo eles Gumo e Ku, este último o mais importante se nos atentarmos as mecânicas novas que ele traz, em conjunto de Ori pelo jogo, a dinâmica da gameplay muda quando está presente.

VISUAL

Ao iniciar a aventura, nos deparamos com gráficos absurdamente lindos, beirando a perfeição da animação que se propõe, lembra quando você viu Cuphead pela primeira vez e assim como eu, pode ter se enganado vendo suas cutscenes e pensado se tratar de uma animação apenas, de tão perfeita que a proposta foi executada? Então, replique este sentimento em Ori And The Will Of The Wisps, principalmente, nos efeitos de água, luz e reflexo presente nesta nova aventura do jogo, você nota a diferença nítida de dinheiro em relação ao primeiro jogo quando nota o número de chefes gigantes e mapa expressivamente maior que o título de 2015.

AUDIO

Devemos destacar a trilha sonora, ela foi inteiramente gravada por uma orquestra real e com faixas inteiramente exclusivas para o jogo, que além de entregar a carga emocional e épica da história, ainda é digna de ser admirada por músicos dos mais ferrenhos apreciadores do gênero de música orquestrada.

GAMEPLAY

A jogabilidade se mantém fiel, porém, o combate tem clara influência de Hollow Knight (2017), com diversas armas e golpes disponíveis, tanto aqueles que gastam a “magia” quanto os que não gastam nada para serem executados. Além das árvores de habilidades e dinâmicas de armas terem evoluído, o jogo conta com um sistema de mapa que funciona de duas formas, você compra com um determinado personagem o mapa com as localizações de itens e outras coisas, ou ainda explorar sozinho, como no próprio game de 2017 já citado neste parágrafo.

Os checkpoints e saves mudaram, agora você não gasta mais suas magias para salvar em determinados lugares, o game o faz sozinho, como a maioria dos jogos modernos e neste ponto específico eu parabenizo a Moon Studios em não se deixar influenciar por Dark Souls ou Holllow Knight, afinal estas mortes punitivas funcionam em suas propostas mas não necessariamente devem ser replicadas em todo jogo, creio eu que tal característica, afetaria a proposta do jogo e a maneira como suas mecânicas de gameplay e história se conversam perfeitamente.

VEREDITO

10. Com uma história ainda melhor, personagens marcantes e um final extremamente corajoso e espontâneo por parte da Moon Studios, Ori And The Will Of The Wisps é muito além de uma simples expansão de seu antecessor, mas uma verdadeira evolução, tanto por sua mensagem que me afetou pessoalmente e reforçou aquela que mudou minha vida no primeiro jogo, quanto pelo trabalho despendido do estúdio em não nos trazer apenas uma sequência qualquer, Ori And The Will Of The Wisps merece a nota máxima que um jogo pode receber, dez, uma nota de um game o qual eu não enxerguei defeitos e mais uma vez conseguiu me marcar para sempre como um dos melhores jogos da minha vida.