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GHOST OF TSUSHIMA

8.0

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É meus amigos quem diria que o estúdio responsável por um dos primeiros grandes exclusivos de Playstation 4, também teria a missão de finalizar o ciclo de jogos First Party no atual console da Sony.
Ghost of Tsushima é mais um título desenvolvido pela Sucker Punch responsável por Infamous, uma das franquias mais bem sucedidas do PlayStation 3, porém após o último título ser lançado para o videogame da Sony, Infamous Second Son foi considerado por muitos o primeiro grande exclusivo do PlayStation 4, e agora o estúdio vem com a árdua tarefa de encerrar essa geração.

Meu nome é Thômas Henrique e esta é a análise sobre a Arte na Honra de Ghost of Tsushima

Antes de falarmos sobre o jogo, vale dar um breve contexto histórico sobre esta ilha localizada entre Japão e a Coreia, estamos falando da ilha de Tsushima. Após a morte do imperador Gengis Khan em 1227, o império mongol foi dividido entre seus filhos, mas para fins didáticos vale destacarmos apenas a Dinastia Yuan que vivia sob o regime de Kublai Khan, um dos netos do poderoso imperador, ao ficar ciente sobre a existência do Japão, Kublai Khan se viu seduzido a conquistar o território da terra do sol nascente, inclusive chegou a enviar uma proposta de submissão pacífica ao império mongol, a qual foi prontamente rejeitada .

Enfim, após 4 rejeições, os mongóis decidiram partir para a guerra, e é exatamente aí que o Ghost of Tsushima se inicia.

HISTÓRIA

Os samurais sempre foram tidos como as figuras militares mais respeitadas do Japão, sendo a primeira linha de defesa do país em diversos conflitos históricos, e em Tsushima temos os últimos samurais, levando honra e a beleza na hora de suas batalhas, prezando um combate justo e igualitário, e talvez este seja o principal motivo de sua queda, com a chegada dos Mongóis.

O jogo começa, com os protagonistas Jin Sakai e seu tio Jito Shimura na linha de frente, encarando o grande antagonista do game Khotun Khan, líder mongol implacável que desde o início mostra estar se lixando para qualquer código de honra samurai, ele quer apenas conquistar Tsushima, independente dos meios que ele tenha de recorrer para isso.

E após o primeiro grande confronto Jin praticamente renasce das cinzas, ganhando mais uma chance para tentar salvar Tsushima dos Mongóis. E toda a jornada que temos pela frente, deve ser o ponto mais alto do game, onde vemos Jin Sakai, sendo obrigado a se libertar dos costumes e valores de um samurai.

A história do game segue um ritmo crescente, e se no início não temos grandes motivações, é certo que ao final da jornada teremos motivos de sobra que lhe farão estar disposto a derramar até a última gota de sangue por Tsushima e seu povo, além de adquirir uma profunda raiva pelo líder mongol.

GAMEPLAY

O jogo tem como base a exploração de toda ilha de Tsushima, e Jin tem o objetivo de reunir guerreiros com experiencia e coragem para lutar pela liberdade de seu povo nas próximas batalhas. A influência de games com The Legend Of Zelda: Breath Of The Wild é inegável, e não sou eu que estou afirmando isso, mas sim os próprios desenvolvedores.

A mecânica no sistema de navegação do jogo surpreende muito, e talvez uma das melhores que já vi, afinal, não temos um minimapa ou traçado na tela como referência em nossa localização, tudo que nos guia por entre a ilha de Tsushima são elementos do cenário, e acredite, eu estava muito cético quanto a isso, pois costumo me perder facilmente em jogos de mundo aberto, que possuem um sistema fraco para essa função, em Ghost Of Tsushima foi uma inesperável e agradável surpresa. Aqui temos o vento como principal elemento de navegação, onde podemos utilizar o touchpad do dualshock 4, para nos guiar em todas as missões seja elas secundarias ou primarias, também temos animais que habitam a ilha e escondem segredos que te guiam para objetivos específicos, itens ou momentos de reflexão e contemplação, e de imediato já adiando a imersão que o touchpad proporciona vai além do que acabei de citar neste game.

Ghost Of Tsushima conta com esse estilo de navegação por uma razão muito simples, você não deve correr por aí sem prestar atenção no cenário a sua volta, na real é impossível de não reparar, tendo em vista que a direção de arte fez um dos melhores trabalhos da geração nesse sentido, oque pra mim pode suar ate como exagero, pois literalmente o jogo tenta empurrar a beleza da ilha todo momento, desde de o início ao fim do game, e eu diria que ele consegue, porem toda essa beleza tem seu preço, pois também começamos a reparar em detalhes que não nos agradam, como os rios, lagos, e acampamentos com texturas dignas de jogos lá de 2015, quando a geração ainda estava em seu início, nada que incomode e reitero, a direção de arte faz cada segundo em Tsushima ser deslumbrante e de perder o fôlego, mas isso não minimiza as falhas gráficas presentes no jogo.

VISUAL

Eu não costumo utilizar o modo foto presentes em quase todos os últimos exclusivs da Sony, mas neste jogo meu amigo, bom eu não tenho palavras para expressar o quão isso aqui esta incrível! Tudo aqui é nos lembra grandes filmes clássicos de samurai, inclusive, o título conta com um modo cinematográfico inspirado pelas obras de Akira Kurosawa, que aplica um filtro de cor na imagem simulando o visual de suas produções.

Andar por Tsushima é satisfatório e recompensador, não pelos itens que você ganha, ou por uma side mission muito profunda, mas acima de tudo pelo fato de que cada partícula de folha parece ter sido feita individualmente ao mesmo passo que o contraste de cores no cenário é de deixar qualquer jogador boquiaberto, todavia, não para por aí o fator de combinação destes elementos, nas batalhas contra chefes do jogo é onde mais se destacam, seja na paisagem de fundo, nos efeitos visuais e até mesmo no sangue sendo derramado durante as batalhas.

O jogo incentiva essa exploração orgânica, à medida que o mapa incentiva o interesse do jogador, seja pelos contos de Tsushima focados em elevar habilidades do personagem ou contos míticos com um enfoque maior na obtenção de itens e afins, isso sem falar das incontáveis vezes que me vi seguindo uma raposa ou um pássaro e até mesmo descansando Jin em fontes termais, sem esquecer os desafios de bambus, no qual todo nós queremos fazer um dia em nossas vidas.

Por hora você já tem uma noção de toda a estrutura que sustenta o jogo, o combate também é satisfatório e o que merece destaque aqui são os sistemas de posturas, cada uma delas é responsável por dar vantagens a cada tipo de inimigo e isso resulta em um combate fluído e desafiador quando se tem as quatro posturas, e os quatro ou mais classes de inimigos a sua volta, quando você tem o controle dessas posturas durante o combate, conseguindo alterar entre uma e outra de maneira rápida, se sentira um verdadeiro e impiedoso samurai.
Aqui o que eu mais tenho a me queixar é a ausência da função de “focar em um inimigo especifico” mecânica muito utilizada em jogos desse mesmo gênero, como Assassins Creed por exemplo, afinal inúmeras vezes eu me encontrava em um ângulo de câmera desfavorável ou o game simplesmente não correspondia ao inimigo que eu realmente queria atingir, atrapalhando muitas vezes a estratégia que eu tinha naquele combate.

Para os inimigos destaco aqui as batalhas contra todos os chefes, seja eles secretos ou não, cada um desses encontros vão além de meras batalhas, elas servem como papel primordial para a redenção de Jin, e também para seu aprimoramento, você realmente vai se sentir um verdadeiro samurai, chamando seus inimigos para o tão conhecido X1.

O game também te oferece um elemento de stealth, esse que tem uma função importante não somente nas mecânicas mas também na história do jogo, responsável por quebrar ao meio as crenças de Jin e causar consequências que você irá enfrentar até a última batalha da história principal do game, de fato isso cria um ponto de convergência entre o jogador e Jin, que aumenta a imersão e cria empatia com o personagem que você joga, algo semelhante ocorre com seu cavalo, ao receber ele você pode escolher dentre três nomes pré-definidos pelo jogo e de antemão eu digo para vocês que todos eles são muito legais. No caso de minha jornada o lendário Nobu.

O jogo também oferece opções de diálogo que pouco afetam a trama principal, sendo na maioria das vezes, um recurso para colocar um pouco mais do sentimento do jogador do que necessariamente para fins narrativos, para ser honesto isso me deixou com um gosto amargo, preferia que apenas o sistemas de decisões se mantivesse no jogo e a história tendo todos seus diálogos regidos por quem a criou.
Ainda na jogabilidade o sistema de física não é totalmente satisfatório e o sistema de escalar pouco fluído, perdendo para jogos mestres da própria Sony nesse quesito, Horizon: Zero Dawn seria um bom exemplo. O balanceamento da inteligência artificial dos inimigos também está rigoroso e até mesmo na dificuldade regular o jogo impõe alguns desafios ao jogador.

AUDIO

As trilhas sonoras que o game apresenta enriquecem em tudo, seja nas batalhas ou durante a exploração, a dupla Ilan Eshkeri e Shigeru Umebayashi faz um trabalho excepcional e cria um épico Hollywoodiano em forma de jogo.

A localização original do game está realmente incrível, fãs de One Piece devem se surpreender ao jogarem o game.

Porem em todas as nossas análises temos a obrigação de o prazer de ressaltar o trabalho de nossos dubladores, desta vez além de Cassiano Avila também contamos com a participação do mestre Mauro Ramos, dublador do Lorde Shimura, entre tantas outras vozes conhecidas para nosso público. (Participação especial no vídeo)

A trama é pautada em honra, mais especificamente, a honra no ponto de vista samurai mas não se engane, os personagens envolta de Jin são um chamariz enriquecedor para os eventos que acontecem no jogo, todos eles acrescentam um “drama” a mais na história, talvez o que mais me atingiu e deixou impactado foram as missões referentes a senhora Masakô a qual não vou detalhar para que sua experiência não seja afetada, ainda sim temos a luta de Yarikawa, um dos pontos os quais eu mais me vi envolvido e talvez o maior “turning point” para o enredo.

VEREDITO

8.0. Ghost Of Tsushima É sem dúvidas um bom jogo com falhas que podem ofuscar um pouco a sua experiência, nada que venha a impactar negativamente em uma decisão de compra por exemplo, afinal o jogo vai lhe render muito tempo de jogatina, neste caso 50 horas além de um universo rico para explorar, sendo pouquíssimo os momentos que você pensa estar fazendo missões sem profundidade alguma.

Eu diria que a Sucker Punch conseguiu mais uma vez deixar sua marca entre os jogos First Party na atual geração de consoles, nos deixando mais um título Single Player de altíssimo nível, abordando Arte na Honra de Ghost of Tsushima.

Então é isso pessoal, gostaria de agradecer aqui a participação dos dubladores Mauros Ramos e em especial ao Cassiano Avila, por ter participado na narração desta análise em video, realmente somos muito gratos pela presença de vocês!