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CYBERPUNK 2077

6.8

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Com pouco mais de dois meses após o lançamento de Cyberpunk 2077, e com mais de 60 horas de gameplay, finalmente chegou a hora de falar do game que quebrou a internet desde seu desenvolvimento conturbado até o lançamento precoce, polemicas que vão desde a profissionais e ex-profissionais de dentro da própria CD Projekt Red, até os fãs mais saudosistas da empresa.
E nesta analise aqui na Endoxon você confere todo o transtorno sobre o que fez e faz de Cyberpunk 2077 um dos jogos mais ambiciosos de toda a década. Mesmo vocês já sabendo de todos os problemas que game apresentou e ainda apresenta desde seu lançamento.

Eu sou Murilo Nascimento, e esta é análise sobre a Ambição Cyberpunk 2077.

Foram 8 anos desde seu anúncio no fim de 2012 quando a CD Projekt Red ainda trabalhava no lançamento do GOTY, The Witcher 3, Cyberpunk 2077 deus as caras com um teaser que veio acompanhado da frase: “chegará… quando estiver pronto!”. Hoje essa frase parece ironia não é mesmo!? Acredito que nem o mais cético de nós, esperava o game que hoje temos em mãos.

E de 2012 para cá, rolou muita coisa na indústria dos games até chegar 2020, alguns exemplos disso seria a própria Rockstar ter lançado dois jogos de mundo aberto, dando espaço para Ubisoft arregaçar as mangas e nos presentear com nove Assassins Creed e três Wacth Dogs.

Vale lembrar que neste tempo também tivemos, Hideo Kojima lançando dois jogos e uma demo e a Capcom lançando Resident Evil 2 e 3 Remake, sem contar a Microsoft e Sony, lançando duas gerações de consoles, Xbox One e Playstation 4, Xbox Series e Playstation 5, assim como Nintendo abandonando o Wii U e lançando o Nintendo Switch.

E fora dos games também tivemos outras muitas coisas, como 3 presidentes, duas copas do mundo, uma trilogia inteira de Star Wars, dois papas, três filmes de Vingadores, ufa! Acho que já deu ne!

E claro três adiamentos de Cyberpunk 2077, pois ele chegaria, quando estivesse pronto!

Enfim o dia 10 de dezembro de 2020 chegou. O jogo foi lançado, e o que mais temíamos aconteceu, Cyberpunk não estava pronto.

É isso mesmo! Apesar do game ter sido lançado no dia 10 de dezembro, Cyberpunk 2077, foi lançado apenas para PC, e a “antiga” geração de consoles, se é que podemos falar assim, uma nova versão esta prevista para chegar em 2021 para a nova geração de videogames.

Mas será que nesta versão teremos o game que tanto queremos? Livre de bugs, e mais bem acabado e polido?

HISTÓRIA

Bom, vamos deixar este assunto para o final desta análise, e por hora vamos focar no jogo em si. Em Cyberpunk 2077 jogamos com V um mercenário cujo gênero, voz, rosto, estilo de cabelo, tipo de corpo, roupas e outras modificações são totalmente personalizáveis.

Essa customização também se inicia ao escolher o caminho que V deve trilhar durante o jogo, você pode ser um Nômade, Marginal ou Corporativo.

Confesso que de início achei que essas escolhas de fato definiriam seu personagem, e por mais que isso seja uma ideia bem apresentada, na prática não é bem assim, com poucas horas de gameplay nos vemos no mesmo caminho em que todas as outras histórias se encontram.

Em todo caso, V tem uma liberdade tão incrível de escolhas que seria difícil comparar a outro game neste momento, mesmo com The Witcher 3, e isso é por conta de Night City ser tão viva que simplesmente nos deixam boquiabertos.

Night City é com certeza o ponto mais alto, e o ponto mais baixo do game. Como isso é possível? Eu te explico!

PERFORMANCE

A cidade fictícia de Cyberpunk 2077 é uma das grandes protagonistas do jogo sem dúvidas, com um mapa gigantesco que aborda diferentes realidades. Seja na parte mais rica ou nos bairros mais afastados, o reflexo da cultura afeta desde as construções até mesmo a sua população. O jogador que deseja conhecer mais do escopo do jogo terá uma grande biblioteca de dados para explorar, seja em datapads ou completando algumas missões secundárias. Cada bairro possui uma ou mais histórias interessantes, que estão ali para serem descobertas, cabe a você degustar toda a imersão que o jogo te propõe.

O aspecto cultural é bem diferenciado nesses bairros, com as grandes cabeças pensantes de cada local, controlando como uma teia invisível cada um que entra em seu domínio. Faça contatos na Polícia, ou no submundo, para receber as melhores missões, afinal você vai precisar de Edinhos ou melhor, Euro Dólar as moedas do jogo, para se manter nessa megalópole.
Enfim, é sim uma cidade muito densa e bem vertical e muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, como prometido, demonstrando toda a ambição do estúdio com o game.
Mas claro, toda essa ambição teve seu preço, um preço muito caro a CD Projekt Red.

Toda essa experiência que disse antes existe sim, mas como disse tem muitas coisas acontecendo, e no momento em sua grande maioria não são coisas boas.
São coisas que podem estragar de vez a sua a sua experiencia, pela quantidade enorme de vezes que aparecem e acontecem dentro do jogo, estragando a imersão do game em várias circunstâncias.

O fato da cidade ser gigantesca e ter uma quantidade absurda de NPCs contribuem muito, mas muito mesmo para os erros que presenciei.

Olha se for para tentar relatar a quantidade de bugs, texturas que achei que não estavam renderizando, por achar fracas de mais, e percebi que de fato era de uma qualidade baixa mesmo. Ou NPCs aleatórios assustados em uma praça que eu estava simplesmente andando. Personagens com a física bugada, tentando chegar ao ponto que deviam iniciar uma fala.

Enfim, Cyberpunk 2077 facilita aos jogadores que procuram erros para soltar na internet, aqui simplesmente basta você jogar tranquilo que eles vão aparecer.

Devo falar que joguei a versão de Playstation 4 no Playstation 5, mas tive experiencias em todas as plataformas, e tudo que relatei aqui se encontra em toda, inclusive no PC. Inclusive tive que ser persistente, pois o jogo não parava de fechar na minha cara, relatando um erro genérico, isso e outras coisas fizeram a própria Sony retirar o jogo da loja no Playstation.

GAMEPLAY

Apesar do game ter toda essa ambição na quantidade/variedades de itens e escolhas, a sua gameplay é bem simples, e um pouco frustrante. Uma vez que temos uma quantidade ENORME de armas a disposição, entre armas de fogo, armas brancas e granadas.

Entre as armas de fogos temos metralhadoras, snipers e pistolas, com uma incrível variedades entre elas, onde acredito que a maioria dos jogadores, vão focar nas 3 principais que mais lhe agrada e realizar upgrades, seja na mira, silenciador ou em outros itens.

As possibilidades são enormes, deixando o jogador confuso no começo, mas que com algumas horas você pega o jeito. A árvore de habilidades é bem completa, temos também as modificações robóticas, que podem ser compradas e equipadas em qualquer medicanico da cidade. Essas modificações permitem ao jogador fazer coisas sobre-humanas, como por exemplo, ter um braço que exerce uma força enorme para acabar com seus inimigos, ou uma mira não letal para suas armas, através de implantes na retina. Esses implantes são caros, mas recompensam com vantagens bem interessantes, que ajudam em áreas mais difíceis de Night City.

Também temos de tudo nas armas brancas, catanas, facas, tacos, ferros e até os próprios punhos.

Mas apesar de simples, tudo isso deixa um pouco a desejar, visto que na hora da ação, sentimos uma jogabilidade um tanto travada, seja na movimentação de V, realizando esquivas pelos lados, escorregando pelo solo ou na tentativa frustrante de realizar parkour.

Na trocação de tiros com os inimigos sentimos a falta de um sistema de coberturas eficiente, a forma de pegar cover é bem fraquinha.
Ao utilizar as armas brancas, me lembrei do Dr. Gordon Freeman de Half Life, game 1998, uma mecânica bem travada e nada compatível com as situações que o game impõe, exceto nas lutas organizadas por missões segundarias, ai tudo bem!

Tudo que precisamos controlar é facilitado pelos menus, que são bem desenvolvidos, desde a escolha das armas a até mesmo a criação de itens. Com o passar do tempo, o jogador sentirá a necessidade de usar elementos mais complexos, e assim explorar todas as opções disponíveis de jogabilidade.

Vale lembrar que a empresa saiu de um RPG Medieval e fantasioso para um RPG em primeira pessoa com mecânicas de shooter e dirigibilidade. Essas mecânicas ficaram muito boas, mas que em alguns momentos foram afetados pela má otimização e problemas com a engine, algo que tira um pouco do grande brilho de Cyberpunk 2077, e sei que isso não é desculpas para tudo que acontece no game.

Além do combate franco, podemos atacar e distrair inimigos na surdina, através de um misto de hacking e ataques nas sombras. Isso traz uma importante vantagem para o jogador que gosta desse tipo de gameplay.

Em todo caso isso não dificulta em nada as batalhas, já que os inimigos não te trazem grandes desafios, e bugam com frequência. Sinceramente eu gostei muitos dos combates dentro dos veículos, essas perseguições e seus diálogos são um combustível a mais para seguir em frente, durante a campanha.

Falando em veículos, existe sim uma quantidade enorme, e mais uma vez não da pra representar todos, é uma variedade enorme mesmo, e são muito bem feitos, cheio de detalhes em seu interior, impossível não reparamos nisso quando vamos no banco de carona ou dirigindo um veículo de um canto a outro da cidade. Cada veículo que entrei tem o design particular do dono, mesmo que seja da mesma marca e modelo, são únicos.

Porem eu estava certo de que poderíamos jogar com carros voadores em Cyberpunk 2077, já que conseguimos avistá-los com frequência durante todo o jogo. Que pena.

VISUAL

Os gráficos de Cyberpunk 2077 são bonitos, e como dito, sofre muito com texturas fracas ou inacabadas e renderizações constantes em determinados ambientes. Os visuais estão bem longe do que poderia ter sido feito se dessem mais tempo ao polimento do game, principalmente aos consoles bases que sofrem muito com tudo que Cyberpunk apresenta.

Em todo caso algumas paisagens são de babar, usam e abusam de efeitos de iluminação, que entram em contraste com o ambiente que vai do escuro e neon, para o claro e quente do deserto tudo isso junto a um modo foto do simples, mas que cumpre bem seu objetivo.

AUDIO

Se tudo que já falamos sobre Cyberpunk ter altos e baixos, existe um grande diferencial em seu áudio, aqui somente pontos altos.

Sobre as músicas tenho algumas boas ressalvas. O jogo possui uma excelente trilha sonora, que dificilmente o jogador enjoará, com músicas para todos os gostos, onde você pode selecioná-las nas rádios de dentro dos veículos, como visto na franquia GTA, é sério, poucas vezes utilizei o recurso de viagem rápida, porque simplesmente queria aproveitar as músicas ou até mesmo uma notícia sobre a cidade.

Temos ate mesmo a possibilidade de colocar o modo de áudio para criadores de conteúdo, evitando os benditos strikes, este modo incorpora músicas novas e deixa somente as músicas que não possuem direitos autorais. Aqui só tenho a agradecer ao estúdio e pedir que todos os demais sigam este exemplo, nos ajuda muito!

Sobre a localização do game, jogamos apenas a versão dublada em português, e devo dizer que é um dos trabalhos mais bem localizados que já vi. Para todos que acompanham nossas análises sabem o quanto eu gosto de falar do trabalho de localização aqui para nosso idioma, e sempre que possível gosto de ressaltar o trabalho de nossos dubladores.
E agora atrelado a tecnologia de lip sync em que a CD Projekt Red utilizou em The Witcher, e aprimorou para Cyberpunk 2077.

Nesta tecnologia quando os personagens iniciam uma fala a boca se move de acordo com a língua que e falado, ou seja, conforme o áudio que é reproduzido naquele momento, então os personagens de fato falam o idioma que o jogador escolhe.

Além de inserir várias referências como, (- Tá saindo da jaula o monstro. – Segue o Líder. – Sai de casa comi pra caralho. – Ai ie ie Meci bocu, bilu teteia.)
Eu sei que isso é bem subjetivo, alguns vão gostar que nem eu, outros não.

Para nosso idioma contamos com Fabricio Vila Verde responsável por dar voz a versão masculina de V e Erika Menezes pela versão feminina do protagonista.
E nosso querido Duda Ribeiro, é responsável pela voz de Johny Silverhand, o personagem de Keanu Reeves em Cyberpunk.

VEREDITO

6.8. Cyberpunk 2077 tem muito a oferecer ao jogador, ele cumpre seu papel como um bom RPG e traz tudo o que você precisa para embarcar em Night City, com uma enorme liberdade em desejar ser literalmente o que você quiser. A quantidade de opções para customizar seu personagem é muito grande, com uma extensa árvore de habilidades, uma quantidade absurda de itens, veículos e armas a sua disposição.

A história principal é muito boa, com um enredo bem encaixado, com escolhas que rendem diferentes finais. Além disso, as missões secundárias continuam a ser bem desenvolvidas pela CD Projekt RED, mostrando sua força em criar um mundo com uma grande variedade de histórias.
O grande problema do jogo é ser ambicioso demais e não conseguir cumprir isso, com um lançamento cheio de tropeços, má otimização de seus recursos e decisões corporativas errôneas.
Nem de perto acredito que a empresa vá conseguir entregar tudo que tinham no papel, mesmo após todas as correções dos bugs (oque e improvável que se resolva todos) correções de texturas, polimento entre tantas outras coisas, afinal se a empresa se focar nessa entrega de correções acredito que veremos ainda mais barulho na internet, como novos crunch no ambiente de trabalho, queda nas ações da empresa entre tantas outras coisas.

Pois isso levaria muito tempo, seria a mesma coisa que dar um suporte a um jogo serviço como vemos por ai, porem se trata de um game multiplayer sem micro transações envolvidas, não dá para comparar, o prejuízo seria enorme, seria não, está sendo.

Por hora a minha indicação seria, não compre o game, espere. Muitos vão falar que a versão de PC está jogável, e eu afirmo até o momento que escrevo esta análise, não está! Esta “melhor” sim que as de consoles. Mas longe de estar realmente jogável, e o preço dos jogos aqui no Brasil, está longe de ser barato, ainda mais por um game que para muitos dizem estar no máximo jogável!
Por isso esperem, comprem a versão “definitiva” após novas impressões, e caso ainda não esteja satisfeito, peca o reembolso como muitas pessoas já fizeram.

Comprem quando realmente estiver… estiver pronto!